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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Trás-os-Montes em Oeiras

Uma bela pinga de... Freixo de Espada à cinta
Imaginem a sala com poucas mesas, que no total alojam 20 pessoas, ao fundo o balcão e atrás dele, numa das laterais, a grande grelha. O espaço não pode ser mais despretensioso, mas as referências à qualidade da oferta e aos preços módicos encorajaram uma expedição gastronómica à rua onde fica o Tribunal de Oeiras - ultimamente muito visto na televisão por causa de criminosos “bem”, tias e tios desavindos, e outros aprendizes de feiticeiro -, para provar a posta mirandesa que os transmontanos da Grelha da Barra ali preparam e servem.
O ambiente é descontraidíssimo, a carta não engana: estamos numa casa de grelhados onde a carne é rainha. Veio a posta mirandesa para duas pessoas (16 euros), pois claro. A dita cuja era alta q.b., chegou no ponto e deu-se a deliciar à visão. Não se tratava de matéria de aviário. Acompanhada de batatas fritas às rodelas confecionadas na casa, a posta passou na prova com nota alta.

Na mesa ao lado fez-se notar particularmente o ânimo do grupo que se debatia com um petisco “fora de carta”. De que se tratava? Veio o empregado e explicou tratar-se do “butelo”, uma especialidade de Trás-os-Montes, feita com chouriço de ossos, batatas e “cascas”, que mais não são do que as vagens das ervilhas, secas, entretanto postas de molho e posteriormente cozidas com os restantes ingredientes. A “coisa” mete-se pelos olhos dentro, mas só é feita por encomenda, conforme nos explicaram. “Ah, pois…” – as nossas reticências foram bem entendidas pelo pessoal da Grelha e no final da luta com a posta mirandesa lá veio um pratinho de butelo para prova. Bom, bom… mas é óbvio que tem de se aprender a dele gostar.
A acompanhar fomos bebendo “Monte Ermos”, um tinto de Freixo de Espada à Cinta - é incrível como em Portugal se vai fazendo bom vinho em todo o lado, inclusive na terra mais parodiada do pedaço!
Custo total da aventura para dois expedicionários: 22,50 euros. Estão certas novas visitas, em particular uma agendada com dois dias de antecedência – condição obrigatória - para um butelo. Oh, oh! A.V.

GRELHA DA BARRA

Rua Afonso Paiva, 3
2780-265 Oeiras
Telefone – 214403026
Telemóvel – 934385171
Cartões – aceita
Estacionamento – público (pago até às 20 horas)
Encerra domingos e segundas, só ao jantar
Preço médio: 15 euros

Notas
Qualidade da refeição: 4
Serviço: 4
Preço: 4

sexta-feira, 7 de março de 2014

Um chinês à antiga portuguesa

O pato lacado é uma das iguarias da casa...
Se na juventude frequentou daqueles chineses que abundavam por Lisboa em que a comida nada tinha de chinês mas sabia bem que se fartava e tem saudades de ver um em cada esquina desde que a ASAE lhes arruinou a reputação, o Mesa para 3 dá-lhe um passaporte para o céu (É um exagero, mas é bom, a sério). Chama-se Nova Ásia, fica no muy agradável bairro de Alvalade e come-se bem e barato. Sim, é verdade, são duas palavras que não se devem usar juntas a não ser que seja mesmo verdade. Mas neste caso, é. Mesmo.
A ementa não tem segredos. É igual a todos os restaurantes chineses que adaptaram ao palato nacional o uso dos ingredientes da comida asiática. E por isso não precisa de se aventurar muito para comer bem. Há aqui um prato que merece destaque especial, sim, mas já lá vamos mais tarde. Agora é tempo de comer uns crepes finos e bem fritos, sem pingo de gordura e com as verduras a gritarem frescura. Depois, se gosta de continuar nas entradas, nada como a Van-Tan frita. O mesmo trunfo dos crepes em relação à fritura com um sabor leve e agradável a que os meus miúdos dizem “quero mais” a uma velocidade estonteante. Se não gosta destas coisas, há sempre umas simples mas adoráveis amêndoas torradas, que chegam quentinhas e com uma Tsin-Tao fresquinha (cerveja chinesa) marcham que nem ginjas.
O que mandar vir a seguir? A lista é longa e o risco mínimo. A grande vantagem deste restaurante sobre outros do género é que não se exagera nos molhos e escapa-se facilmente aos rios de gordura. Por isso um clássico Chop-Suey de seja o que for vai cair bem, assim com a galinha com amêndoas (frita ou salteada, eu prefiro a primeira, o meu Vicente aposta sempre na segunda…) ou a simples Vaca com molho de ostras. Sejam estes ou outros semelhantes do cardápio habitual no chinês/tuga dificilmente será traído pela cozinha da casa.
Se é amante de pato à Pequim e gosta de passar sempre por esta iguaria, aí sim, recomenda-se o pato lacado. Isto já não há em todo o lado e no Nova Ásia é mesmo bem feito. Não sabe do que falo? Olhe, se fosse leitão era à Bairrada? Percebe agora o que digo? Despertou-lhe a atenção. Pois, trata-se de um pato assado e com uma pele tão estaladiça como a do bicho porco mas mais requintada. Gostos não se discutem e eu que sou fã de leitão, também não digo que não, pelo contrário, a um pato lacado. Há em forma de pato inteiro ou meio. A dose mais pequena chega bem para duas pessoas, desde que venha o arroz chao-chao, aqui fresco e soltinho como poucos.
Nas sobremesas não consigo recomendar nada. Não sou fã do género. Os meus filhos atacam as líchias e as maça pá-si como se não houvesse amanhã. Nunca se queixaram. Serve como dica?
Mais a sério. Gosta desta comida chinesa aldrabada, mesmo que a veja como um guilty pleasure? Então não hesite. Aqui é mesmo boa e terá de se esforçar para gastar muito dinheiro. Sem vinho come muito facilmente abaixo dos 10 euros. Já se gosta de bons néctares, não risque o Nova Ásia da lista. Há poucos chineses com uma lista melhor. E não pense que é um local só para pelintras. Durão Barroso aprecia o pato lacado e Sílvio, lateral do Benfica e internacional português, também passa por lá para trincar estas iguarias. Experimente. Eu, confesso, passo lá pelo menos uma vez por mês… B.R.

Nova Ásia
Avenida da Igreja, 41 A
1700-233 Lisboa
Multibanco, Visa e Mastercard
Preço médio: 15 euros
Encerra à segunda feira

Notas
Qualidade da refeição: 4
Serviço: 3
Preço: 4

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Páteo da moda

Os sítios da moda são um problema. O maior de todos é a atração que exercem sobre as “aves de arribação” – chegam em massa e tornam o ambiente impossível, nunca há mesa; mas o segundo não é menos importante: quando a amplificação da fama leva o nome até Huddersfield de Cima ou Avignon de Baixo, as expectativas sobem muito, muito, muito.
Foi assim, de pé atrás, que abalei para o Páteo do Petisco, na Torre, ali para os lados de Cascais, onde os iniciados têm muitas voltinhas que dar até lá chegar (em baixo juntam-se as coordenadas para inserir no GPS).
A casa é gira. Entra-se pelo antigo pátio, que agora está coberto e funciona como sala de entrada onde existem as primeiras mesas e um balcão com quatro lugares (aqui para nós, o melhor “spot” para perceber e gozar os prazeres em avaliação). Depois passa-se a uma sala e ainda a outra. Tudo descontraído.
Se a oferta eram os petiscos, fui-me a eles. Primeiro vieram croquetes de alheira e pastéis de bacalhau, melhores os primeiros, do que os segundos. Pastéis há muitos, croquetes de alheira não deixam de ser uma originalidade, talvez por isso tenham impressionado mais.
A seguir, de uma assentada, chegaram moelas, peixinhos da horta e cogumelos salteados.
As moelas foram de imediato aprovadas. A “molhanga” estava bem feita, com tempero, a pedir pãozinho. Bom!
Os peixinhos da horta também agradaram muito. O segredo aqui é ter o “verde” bem cozido e, mais do que isso, o polme certo, leve, sem agredir com sal. A fritura correta faz o resto. Bom!   
Problemáticos estiveram os cogumelos salteados. Onde sobrou água faltou um azeitinho decente. Ou houve azar na cozinha, ou quem está ao leme precisa de apurar a técnica de saltear.
A carta tem muito mais para oferecer – entre petiscos e pratos principais - e exige uma segunda e terceira visitas para se explorarem todas as potencialidades do Páteo, que é engraçado, simpático, sim, senhor, mas não deve facilitar na essência da sua missão: oferecer comidinha deliciosa. A.V.

Páteo do Petisco
Travessa das Amoreiras, 5
2750-384 Torre
Telefone – 214820036
GPS +38º 42´20.70” -9º 26´32.14”
Aceita cartões
Preço médio – 15 euros
Fecha às segundas-feiras
Estacionamento - público

Notas (1 a 5)
Qualidade da refeição: 3
Serviço: 4
Preço: 3


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

É difícil fugir aos centros comerciais

Se não conseguir fugir, opte pelo Eataly...
É difícil fugir aos centros comerciais, sobretudo agora que há quem queira comprar muita coisa em pouco tempo. E nessas jornadas de comércio moderno, por atacado, também há que tratar da barriga. A oferta não é boa. Pelo contrário. Mas o pessoal tem de se desenrascar com o que há. Houve em tempos uma honrosa exceção no CascaiShopping, o saudoso Mesón Andaluz, mas o proprietário decidiu procurar nova localização lá para os lados da Travessa do Alecrim, em Lisboa, e fiquei sem referências.
Um destes dias fui ao Allegro, a Alfragide, tratar de uns presentes (parece que é feio dizer-se “prendas…) e, chegada a hora do almoço, optei pelo Eataly, usando uma lei que quase sempre se verificou verdadeira em diversas partes do Mundo: há um restaurante italiano, há pizzas, massas, não se passa fome!
Bom, este Eataly é aberto para o exterior, mas entre as suas “três paredes” cultiva alguma pretensão, na decoração, no mobiliário e nos utensílios. Não tem ambiente de plástico. E o que faz passar alguma confiança para o comensal é a existência de um grande forno de pedra, que domina o espaço,  onde os “chefs” vão deitando massa a cozer.
Para começar veio uma focaccia (2,20). A massa era estaladiça, por cima tinha um leve fio de azeite e alecrim. Normalmente, não sou muito de “focaccias”, por isso não tenho termos de comparação, mas esta estava bastante comestível. Belo toque aromático lhe dava o alecrim.
Como pizzas há muitas - a maior parte delas, em Portugal, deixam muito a desejar, porque quem as faz preocupa-se em carregar o recheio, mas descuida a massa – optei por um risoto porcine (8,90), assim como uma espécie de prova real: quem não o sabe confecionar não pode ter a pretensão de abrir um “italiano”.
E a verdade é que o pessoal do Eataly não inventa. Faz um risotto decente, que não enjoa, como alguns em que é notório o uso abusivo do queijo e da manteiga. Cogumelos tinha e trufas também, como manda a receita. Comeu-se bem.
Moral da história: se tiver mesmo de ser e a opção for comer num centro comercial, este Eataly deve ser considerado como hipótese. Porque há outros “eatalies” noutros shoppings. A.V.

Eataly
Centro Comercial Allegro, loja 148
Alfragide
2790-045 Carnaxide
Cartões – Aceita
Preço médio – 15 euros
Aberto todos os dias
Estacionamento grátis

Notas (1 a 5)
Qualidade da refeição: 3
Serviço: 4
Preço: 3

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Há de tudo como no mercado

As (poucas) mesas disponíveis não atrapalham o bom gourmet
Custou mas foi. A abertura do “novo” Mercado de Campo de Ourique foi uma saga que me deixou esgotado. No início do verão começaram a circular notícias de que no melhor bairro lisboeta (ok, sou suspeito por definir assim o sítio onde moro...) ia abrir uma série de quiosques com petiscos ao lado das bancas de produtos frescos (peixe, carne, legumes, frutas, entre outros) já existentes no local. E isto à imagem do famoso Mercado de San Miguel, em Madrid, este uma perdição de “tapeo” nas suas mais variadas e gloriosas formas. Assim, perante a perspetiva de ter tal coisa à mão de semear, cedo comecei a contar os dias até à inauguração. Mas foi duro. O verão passou e nada. A inauguração chegou a ser apontada para setembro, depois passou para meados de outubro, teve data marcada no início de novembro e só abriu, já perante a desconfiança geral, no dia 26 desse mesmo mês, o de novembro para quem já se perdeu. Mas valeu. Valeu a espera, a pena e valeu a aposta de quem teve a ideia, pois será rapidamente o “spot” mais concorrido de Lisboa, esperando que isso, entretanto, não o estrague.
            Quem conhece o irmão mais velho madrileno já sabe o que o espera. E não ficará desiludido, mesmo que sinta falta de algum “salero” que no outro se sente por todos os cantos. Seja como for, o “Mercado de Campo de Ourique” tem correspondido a todas as expectativas nestes poucos dias de pleno funcionamento. O bom gosto na decoração dos 16 quiosques (embora haja um, a “Pastelaria” que ainda não tem dono) é uma evidência, e a escolha do que cada um tem para oferecer foi acertada, ainda que possa haver desequilíbrios, sobretudo no desembaraço com que os clientes são servidos. A ideia é comprar os petiscos mais apreciados e ficar a degustá-los no balcão ou, mais difícil, nas mesas (poucas) existentes a meio do recinto. E, já agora, convém ir sem pressas ou cheio de impaciência. Nenhuma faz com que arranje lugar sentado ou que seja atendido mais depressa. Há que desfrutar deste local ímpar na capital, no melhor bairro do mundo (e, desta vez, não sou eu que o afirmo, é a insuspeita Monocle http://monocle.com/magazine/issues/68/).
            Ficam, então, as minhas primeiras impressões sobre cada espaço. E estas são sempre as decisivas, até porque, como dizia o outro, não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão...

Charcutaria Lisboa: Uma das “tasquinhas” mais concorridas, sobretudo por causa das travessas generosas de queijo, enchidos, pão e azeite, que servem um pequeno grupo a preços entre os 15 e os 30 euros.
Chef do Mercado: Petiscos de autor. Pode surpreender pela diferença. Supostamente também se dispõe a preparar pratos com produtos comprados no mercado, mas não vi o conceito em prática, nem me parece exequível com tanto movimento.
Hamburgueria U-Try: Bons hambúrgueres e umas batatas fritas, de pacote, a fazerem lembrar a infância, quando tudo tinha mais sabor. O problema é que, com aquela oferta à volta, arrisca-se a ter menos atenção.
Praça japonesa: Para quem estiver enjoado de petiscos portugueses, eis uma opção saudável de sushis e sashimis.
Petiscaria 2 à Esquina: Já existia na zona da Almirante Reis e abriu agora este segundo espaço. Petiscos óptimos como na casa original, mas um serviço “atrapalhado” ao contrário do que sucede na primeira. Se nada fizer, é um sério candidato ao prémio “vamos andar à toa quando isto apertar”.
Empaderia: Conceito já existente em diversos centros comerciais. Apesar disso, não deixa de ser interessante.
Joe’s Shack Menu: Um “americano” com tudo a que temos direito, desde chicken wings às BBQ Ribs. Também para desenjoar do petisco nacional.
Mercado do marisco: Marisco bom e relativamente barato. Com pratinhos de camarão, percebes, entre outras iguarias a puxar a cerveja. Complementa com uma champanheria que vende, para além do precioso líquido, umas ostras fresquissímas a 2 euros a unidade.
O Atalho: É, de longe, o mais procurado. A ideia é boa: grelhar carne que o cliente pode escolher da vitrina, tudo com uma boa apresentação final.
Gelati di chef: Gelados de autor, para completar a refeição.

Para além das tasquinhas de comida há as de bebida. Uma de vinhos (à garrafa ou a copo, mas com poucas escolhas), uma de cocktails (os diferentes gins são uma perdição...) e outra de cerveja, destacando-se esta pelos baldes cheios de gelo com cinco minis lá dentro, por apenas uma nota de 5 euros. Os preços baixos são, aliás, outro factor de atração, bem como a possibilidade de se poder petiscar fora do horário das refeições. L.M.

Mercado de Campo de Ourique
Rua Coelho da Rocha
1350-075 Lisboa
Telefone: 213962272
Cartões: aceita (também há multibanco no mercado e nas ruas adjacentes)
Preço médio: depende da escolha dos quiosques, mas petisca-se e bebe-se bem por 10 euros, e vai-se longe por 20. A partir daí, a festa é total.
Estacionamento: Difícil na rua, mas há um parque mesmo em frente, por baixo da igreja do Santo Condestável.
Aberto de domingo a quarta-feira até às 23h00 e de quinta-feira a sábado até à 1h00

Notas (1 a 5)
Qualidade da refeição: entre 3 e 4
Serviço: de 2 a 5
Preço: de 3 a 5

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Não é (só) mais uma Tendinha



Disse-me uma amiga que “A Tendinha”, no centro histórico de Oeiras, era uma tasca onde ela e alguns amigos bebiam umas cervejas nos idos de 80. Porque era barato, porque havia poucas alternativas e porque a localização dava jeito a todos. Mas nada a caracterizava especialmente, nem nessa altura, nem três décadas antes, quando abriu portas (1954). E, aos poucos, com as andanças da vida, foi caindo no esquecimento da amiga e dos amigos dela. Entretanto, não sei que transformação foi operada na “Tendinha”, mas o certo é que começou a aparecer nas páginas de jornais e revistas. E de uma forma tão elogiosa que surpreendeu essa tal amiga. Fomos então investigar...

À entrada senti logo que aquele local ia ser especial. O espaço é pequeno e acolhedor (28 lugares), mistura de restaurante, cervejaria e, sobretudo, tasca, e defino-o assim com toda a admiração. Mas há uma satisfação geral na cara dos comensais e um à vontade dos mesmos – não confundir com intimidade – que apetece logo experimentar. Não há menus encadernados, mas há ardósias na parede com as ofertas da casa. E as ofertas são variadas e podem ser surpreendentes para quem ainda não está familiarizado. A começar nas entradas que incluem ostras (!), amêijoas, percebes (quando os há), sapateiras e gambas, estas, frescas e rechonchudas, vendidas num pequeno prato por 5,50 euros, mesmo boas para partilhar e começar a despachar umas imperiais.


Depois, ao que parece, a malta vai ali comer bife, cuja fama é a de ser tenrinho. Um (9,75 euros) dá para dois, meia dose (8,75) para um. A última foi a minha escolha, apesar da diferença de apenas 1 euro. E, de facto, percebe-se a preferência geral, pois este bife distingue-se por ser verdadeiramente macio. O molho, com muito alho, dá-lhe um sabor extra e as batatas, bem fritas, amarelinhas, complementam-no na perfeição, tal como o ovo estrelado. Estou a escrever e já a salivar só de memória... Mas, atenção, esta não é a única (e boa) opção. Há, por exemplo, um excelente caril de gambas servido em casca de coco, tachinhos de arroz de tamboril, de polvo e de bacalhau (todos para duas pessoas ao preço de 14,50 euros), feijoada de gambas, massinha de peixe, polvo à lagareiro, entrecosto com amêijoas e por aí fora. Muito para escolher com a certeza de acertar sempre, pois tudo é bem confeccionado.

O vinho da casa, em jarro, é adequado ao espírito do local, pelo que é uma boa opção, embora haja outros disponíveis, de marca. O serviço é rápido e simpático. Quanto aos preços, são um pouco mais altos do que seria de esperar de uma tasca (repito, com toda a admiração pelo termo), mas também não se espera de uma tasca, que, no fundo, até é restaurante e cervejaria, refeições com tanta qualidade. Ainda assim, o almoço ou o jantar fica entre os 12 e os 15 euros, embora possa subir a mais de 20, caso se complemente a refeição com marisco. Dica para arranjar mesa: ao almoço é chegar logo pelas 12h30 ou a partir das 14h00. Ao jantar, reserve-se.


Tendinhas há muitas – uma pesquisa na net indica-nos várias pelo país –, mas esta, a de Oeiras, é especial e vale uma visita. Regada e demorada, de preferência. L.M.


 “A Tendinha”
Rua Rodrigues Freitas, 5
2780-293 Oeiras
Telefone – 212401739
Cartões – o multibanco “está avariado”
Preço médio: 15 euros
Aberto todos os dias até à meia-noite
Estacionamento – público


Notas (1 a 5)
Qualidade da refeição: 3
Serviço: 3
Preço: 4